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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

FODA-SE A PORRA TODA

Como já anunciei que este blog não será mais apenas de poemas e poesias, e sim, também dará vazão aos meus pensamentos mais inquietantes.... hoje é um dia de reflexões.

Como ando obcecada por um maldito tênis brilhoso que quero e não tenho dinheiro pra comprar nem uma santa alma para fazer a caridade de me dar algo tão fútil, este post é para discutir o valor das coisas e se elas são ou não fúteis.

Vamos lembrar que na física, quando estudamos os movimentos, é importante ter em mente o referencial. O referencial é tudo. O que eu vejo, o que você vê, vice-versa. Assim como as piscadelas de Levi-Strauss ( amo antropologia)

Esses dias estava conversando com minha mãe sobre as pequenas coisas que afetam a auto-estima de uma mulher que não está trabalhando: ter de pedir tudo para o marido.

Eu sempre fui muito independente, ganhava dinheiro, gastava dinheiro, trabalhava para ganhar mais dinheiro e gastava mais dinheiro, eu sempre conjuguei o verbo consumir com muito orgulho. Estou inserida no regime capitalista ora pois.

Olhar vitrines é algo tão gostoso quanto as minhas diárias corridas de 6 km 5 x na semana ( projeto Viviane Araujo faço até abdominal com os "homi") na praia. Só tem um porém, na praia minha mente vaga sem criar ciclos obsessivos, enquanto as vitrines exigem um exercício de refino e concentração. Não posso comprar tudo o que quero, logo, preciso selecionar alguns pequenos itens e juntar moedas, centavos, até catar latinha se for necessário. Esse, meu bem, é o fetiche da mercadoria que um tal Karl Marx vivia falando. E cá pra nós EU SEMPRE ODIEI O MARX, sou mais o Durkheim e o Parsons. F**** comunismo.

Voltando, existem coisas que são trocadas fora do mercado e dos custos de transação ( como eu amo ter feito doutorado no instituto de economia), essas são as "não mercadorias" ( eu inventei isso agora). Eu não consigo precificar uma boa xícara de chá, apesar de me chá favorito da twinings de camomila mel e baunilha ser caro, ele me acalma, ele é lindo, maravilhoso, ainda mais agora que estou reduzindo o consumo de café por questões médicas. Eu também não posso precificar uma boa noite de sono, apesar de meu travesseiro maravilhoso ter sido feito a partir de tecnologia da NASA  e ele custou bem caro, eu também não posso precificar o abraço amoroso da minha mãe e do meu pai, mas eu tenho que viajar para vê-los e isso custa dinheiro. Vocês conseguem entender aonde quero chegar?

Não dá para fugir da maldita relação com dinheiro! Precisamos comer, nos vestir, estudar, transitar pela cidade ( pelo mundo), até  a internet é paga, CARALHO!

A minha psiquiatra entende meus ciclos compulsivos e ela entende porque eu ando com tanto ódio de não ter este maldito tênis. Mas foda-se, ela não vai me dar esta porra e nem ninguém.

Agora estou focada em estudar para concursos, arrumar um emprego, ganhar DINHEIRO e deixar que o feitiço do capitalismo me faça gozar com prazer, porquê na boa, tô cansada de só  me foder  E anotem minhas palavras cada centavo ganho vai ser pra comprar TUDO o que eu não ganhei.

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