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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Rouxinol



Não sei de onde veio aquela caixa, mas eu a encontrei aos pés do meu portão.
Era uma caixa grande e alta, envolta em um belo papel lílas com muitos furos,
e um grande laçarote cor-de -rosa.


Rosa é a minha cor favorita, acho que desde os meus 10 anos de idade.
Independente do remetente da caixa, a pessoa devia me conhecer para saber que o laço de qualquuer presente para mim, impreterivelmente deve ser rosa.
Corri para dentro de casa e abri a caixa rapidamente, 
dentro dela havia uma bela gaiola dourada com um belíssimo exemplar de um rouxinol azul.
Quem aprisionou o rouxinol? Como aquela gaiola foi trazida até mim....


Dentro da gaiola havia um pequeno bilhete que dizia: -Se você chorar vou embora.


Por horas pensei o que fazer com o pássaro, mas como já tenho um canário belga (Sr. Antero de Olviedo) achei que não faria mal cuidar de mais um pássaro.
Durante dias a fio o rouxinol não se movia, não comia a não cantava.
Bicho estranho! -Pensei, deve estar infeliz na gaiola.


Procurei veterinários, especialistas, enciclopédias.... nada
Nada fazia o rouxinol cantar.


Numa tarde, após um dia muito cansativo sentei-me na varanda e fitei o céu
Minha mente carregava o peso das nuvens que antecipavam a chuva
E o coração tinha o vazio das horas mortas.


De repente um belo canto começou a ecoar do fundo da gaiola dourada....
era ele, o rouxinol......
Cantava tão suave que parecia mais um anjo....
A vibração de seu canto tocou a minha alma de forma tão plena que começei a chorar......


Entrei correndo para chamar alguém para ver que o bico cantava.... e quando voltei para a varanda para filmar o feito do passaro..... a gaiola estava vazia.... 


Lembrei-me do bilhete e fiquei pensativa. 
Maldito presente!!!!!



Um comentário:

Alexandre Mendes disse...

Belo conto!
Ainda bem que você chorou.
Detesto ver pássaros em gaiolas...