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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010



O relógio não se movimenta.
Passo horas olhando para os ponteiros,
como se quisesse movimentá-los com a força do meu pensamento.
Mas, o tempo não se rende aos meus caprichos.
Não anda para atrás, para que eu possa apagar momentos que teimo em lembrar.
Nem corre para frente, para me fazer sair da realidade que quero esquecer.

Os dias se movimentam lentamente.
São grãos de areia se arrastando na ampulheta do tempo.
São como estrelas que se apagam no universo.
Como os trovões distantes anunciando a tempestade.

Não há antídotos para o pesadelo que se sonha acordado.
Não há remédios para as dores do coração.
Não há remendos para as feridas da alma.
O tempo, maldito tempo. Se arrasta e me pede calma.

Como posso ficar calma se nem tenho vontade de chorar?
Como posso ficar calma se nem tenho vontade de gritar?
Como posso ficar calma quando não quero mais sorrir?
Como se pede calma para alguém que está a sofrer?
Parecem querer injetar vida nas veias de quem só quer morrer!

Calem-se todas as vozes.
Emudeçam-se todos os sons.
Vou deixar que o silêncio do tempo,
ou quem sabe os trovões da tempestade e o vento,
tragam o sono e esquecimento.

Um comentário:

Dom Quixote (Thomaz) disse...

Gostei da poesia! Um abraço!